Política
Hildon diz que caos na saúde de Rondônia contribuiu para disparada da mortalidade materno-infantil
Um relatório do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) aponta problemas na execução da política de saúde materno-infantil no estado, com indicadores considerados preocupantes de mortalidade materna e infantil. Entre os pontos analisados estão dificuldades no acesso ao pré-natal e a exames, concentração de serviços especializados e necessidade de melhorar a estrutura de atendimento fora da capital.
De acordo com informações apuradas pela equipe do Jornal Eletrônico Portal de Rondônia, o diagnóstico do TCE-RO integra análises realizadas pelo órgão sobre as políticas públicas de saúde e destaca a necessidade de aperfeiçoar a assistência às gestantes e aos recém-nascidos. Documentos do próprio tribunal também apontam baixa cobertura de consultas de pré-natal e a importância de fortalecer a atenção materno-infantil.
Segundo os dados apresentados no material, a mortalidade materna em Rondônia teria alcançado 62 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, enquanto a meta nacional citada é de 30. No caso da mortalidade infantil, o índice informado é de nove óbitos para cada mil nascidos vivos, diante de uma meta nacional de cinco.
O relatório também aponta problemas relacionados ao acompanhamento das gestantes. Conforme os números apresentados, 2.880 mulheres iniciaram o pré-natal tardiamente e 1.250 não realizaram nenhuma consulta durante a gestação.
Outro ponto destacado é a dificuldade de acesso a exames e serviços especializados. Segundo o levantamento citado, menos de 10% das gestantes tiveram acesso à ultrassonografia pela rede pública, enquanto uma parcela significativa precisou recorrer à rede particular.
A concentração da assistência especializada na capital também é apontada como um dos desafios. A distância entre municípios do interior e os centros de referência pode obrigar gestantes e recém-nascidos a percorrer centenas de quilômetros em busca de atendimento especializado.
A situação também é alvo de críticas do ex-prefeito de Porto Velho e candidato ao Governo de Rondônia pela Federação União Progressistas, Hildon Chaves. Ele afirmou que pretende realizar um diagnóstico da estrutura de saúde do estado caso seja eleito e defendeu a construção de hospitais e centros de atendimento em regiões consideradas estratégicas.
“É inaceitável que a incompetência administrativa dos gestores seja a causa da perda de vidas de mães e recém-nascidos rondonienses. Na vida pública não há espaço para achismos”, afirmou Hildon.
O candidato também criticou o deslocamento frequente de pacientes do interior para atendimento nos maiores centros urbanos. Segundo ele, o aumento do transporte de pacientes e profissionais de saúde representa um modelo que precisa ser revisto.
“Faremos um diagnóstico da saúde com o compromisso de investir na construção de novos hospitais e centros de atendimento nos locais certos, provendo um atendimento digno para a nossa população”, declarou.
Hildon também afirmou que pretende reduzir a necessidade de utilização de ambulâncias e ônibus para transportar pacientes por longas distâncias.
“É uma política fadada ao fracasso, que representa basicamente duas coisas: um enorme desperdício de dinheiro público e a perda de vidas e o sofrimento de muitas famílias rondonienses”, disse.
O TCE-RO vem acompanhando a política de saúde materno-infantil em Rondônia. Em documentos recentes, o tribunal também registra a necessidade de ampliar o acesso ao pré-natal e melhorar a organização da rede de atenção à saúde.
