Política
Marcos Rogério propõe 23 ações para reduzir filas e levar atendimento de saúde para mais perto dos rondonienses
Reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias e diminuir a distância percorrida pelos pacientes estão entre as principais propostas para a saúde apresentadas por Marcos Rogério, candidato ao governo de Rondônia, e pelo candidato a vice-governador, deputado estadual Delegado Rodrigo Camargo. As medidas integram o plano de governo da chapa da Coligação Juntos por Rondônia.
De acordo com informações apuradas pela equipe do Jornal Eletrônico Portal de Rondônia, a saúde aparece como o primeiro dos dez eixos prioritários do documento registrado na Justiça Eleitoral. Ao todo, são 23 projetos e frentes de atuação voltados à redução de filas, reorganização da regulação, regionalização dos serviços, telemedicina, atendimento às populações ribeirinha e indígena, saúde mental, pessoas com deficiência e neurodivergência, saúde bucal, hospitais e reabilitação.
Gabinete de crise e combate às filas
Entre as primeiras medidas previstas está a criação do Gabinete de Crise da Saúde, que seria coordenado diretamente pelo governador. A proposta é realizar um diagnóstico dos principais gargalos da rede, incluindo contratos, estoques, situação dos hospitais e capacidade de atendimento.
A Central de Regulação também deverá ser analisada para identificar o tamanho das filas e a capacidade disponível na rede pública e complementar.
Nos primeiros 100 dias de governo, a proposta estabelece a conclusão desse diagnóstico, a qualificação das filas e a publicação de um plano emergencial.
O programa S.O.S. Saúde teria duração inicial de 180 dias e seria destinado à redução do passivo de consultas especializadas, exames e cirurgias eletivas. A estratégia prevê o aproveitamento da capacidade ociosa da rede pública e, quando necessário, a contratação de serviços privados e filantrópicos, inclusive no período noturno e aos fins de semana.
Já o Cirurgia Já seria uma política permanente, com produção cirúrgica durante todo o ano, metas por região, acompanhamento dos prazos e auditoria dos resultados.
Nova proposta para a regulação
O plano também prevê a criação do SIRO, apresentado como uma nova geração da regulação estadual. A plataforma deverá integrar os 52 municípios e os distritos, organizando solicitações de acordo com protocolos clínicos, nível de risco e tempo de espera.
A proposta inclui ainda o acompanhamento de leitos, consultas e exames. O funcionamento seria monitorado pela Comissão Estadual de Inteligência e Monitoramento em Saúde (CEIMS).
Outra ferramenta prevista é o FluxSUS, ou solução equivalente, que deverá ajudar a identificar onde os pacientes procuram atendimento e quais regiões concentram ou encaminham demandas para outros municípios.
Atendimento mais próximo da população
O programa Saúde Perto de Casa prevê a criação da chamada Tabela SUS Rondoniense, com complementação estadual de valores para determinados procedimentos. O pagamento estaria vinculado a metas, indicadores de qualidade e auditoria.
A intenção é ampliar a oferta de consultas e exames, como endoscopia, colonoscopia e ecocardiograma, em locais mais próximos da residência dos pacientes.
O plano também prevê a implantação de Ambulatórios Médicos de Especialidades em Vilhena, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ariquemes, São Francisco do Guaporé e Guajará-Mirim.
Outra frente seria a adoção de Contratos de Gestão Regionalizada da Saúde, com metas relacionadas a acesso, segurança, qualidade e eficiência.
Telemedicina e atendimento em regiões de difícil acesso
A proposta de Saúde Digital inclui telemedicina, teleconsultoria e telematriciamento, permitindo que profissionais da atenção básica discutam casos com especialistas de outras regiões.
O plano também prevê os chamados Containers Consultórios, estruturas modulares com acessibilidade, climatização, privacidade e conexão segura, inclusive por satélite.
As Carretas da Saúde seriam utilizadas para levar exames de maior complexidade e pequenos procedimentos a regiões com demanda reprimida.
Para as comunidades ribeirinhas, a proposta é criar uma política estadual específica, com atendimento médico e odontológico, vacinação, exames, ultrassonografia, eletrocardiograma, distribuição de medicamentos e acompanhamento de doenças crônicas.
O plano também contempla uma política estadual voltada aos povos indígenas, com articulação entre o governo estadual, a Secretaria Especial de Saúde Indígena, os Distritos Sanitários Especiais Indígenas e os municípios para organizar o acesso a urgências, consultas, exames, cirurgias e internações.
Profissionais, medicamentos e saúde mental
O Programa Estadual de Força de Trabalho pretende dimensionar a necessidade de profissionais de saúde por unidade e região. Entre as medidas estão concursos planejados, substituição gradual de vínculos precários, melhor distribuição das equipes e educação continuada.
Na área de logística, o Centro Logístico de Abastecimento e Distribuição (CELAD) teria a função de centralizar medicamentos, materiais e insumos, com controle digital de estoques, lotes, validade e distribuição.
Para a saúde mental, o plano prevê a criação do Centro Estadual de Saúde Mental, que funcionaria como retaguarda para os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), atenção primária e leitos de saúde mental em hospitais gerais.
A proposta também inclui ações de prevenção ao suicídio e atendimento em situações de crise.
Pessoas com deficiência e neurodivergência
Outra frente prevista é a Política Estadual para Pessoas com Deficiência e Neurodivergência, com foco na identificação precoce de sinais de atraso no desenvolvimento e na integração entre saúde, educação e assistência social.
O plano prevê estudos para a implantação de Centros Especializados em Autismo e Neurodesenvolvimento em Porto Velho, Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena.
Na saúde bucal, o programa Sorriso Rondoniense prevê a organização da rede estadual, incluindo atendimento especializado, cirurgias e próteses.
Já o programa Mulher Plena propõe uma linha específica de atendimento à menopausa, reunindo áreas como ginecologia, endocrinologia, nutrição e psicologia, além da realização da Caravana Mulher Plena.
Novo hospital de urgência em Porto Velho
Entre os projetos de infraestrutura está a construção de um novo Hospital de Urgência de Porto Velho, que, segundo o plano, substituiria a atual estrutura do João Paulo II.
A unidade seria voltada para atendimentos de alta complexidade, com centro cirúrgico, terapia intensiva, trauma e diagnóstico por imagem.
Em Ariquemes, a proposta é retomar e concluir o Hospital Regional.
O Plano Integrado de Modernização da Rede Hospitalar deverá orientar a ampliação de leitos e a criação de novas estruturas a partir de informações sobre demanda, ocupação, filas, número de profissionais e custos. Ji-Paraná também aparece entre as regiões apontadas para fortalecimento da rede.
Trauma e reabilitação
A 23ª proposta apresentada no eixo da saúde é o Complexo Estadual de Trauma e Reabilitação, formado pelo Hospital Estadual de Trauma e pelo Centro Estadual de Reabilitação.
O projeto inclui ainda a modernização do Banco Estadual de Órteses e Próteses e a criação de um Centro de Formação em Trauma destinado a equipes do SAMU, Corpo de Bombeiros e profissionais médicos.
O conjunto de propostas apresentado por Marcos Rogério e Delegado Rodrigo Camargo reúne ações de curto, médio e longo prazo para regulação, atendimento regionalizado, contratação e distribuição de profissionais, logística de medicamentos, modernização hospitalar, prevenção e reabilitação.
A principal métrica estabelecida pelo plano é o resultado para o paciente: quanto tempo esperou, quantos quilômetros precisou percorrer e se conseguiu efetivamente ter acesso ao atendimento de que precisava.
